Crianças musculosas: o fisiculturismo infantil

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Tudo que nos é diferente possui a marcante característica de despertar a reflexão e a introspecção; daí nascem as polêmicas e a partir deste ponto conseguimos determinar traçados para os limites e conseguimos praticar o nosso bom senso, sempre que existente.

O que dizer do fisiculturismo infantil? Como nos posicionar da forma mais coerente possível, tentando não excluir da argumentação nenhum fato oportuno à nossa vontade. Como eu, uma pessoa que não pratica esse esporte, posso falar sobre isso? É importante ressaltar que, para escrever este post, recorri à opinião de amigos que apreciam o esporte da escultura de músculos e que são praticantes dele. A opinião deles, em geral, é de que o fisiculturismo infantil deve ser praticado com respeito aos limites que a idade da criança naturalmente impõe e, lógico, sem que seja uma pressão da família.

Mas, afinal, o que é o fisiculturismo infantil e como ele se consolida como prática?

Em primeiro lugar, é importante lembrar que o fisiculturismo é, sim, um esporte e, como qualquer outra prática do gênero, tem suas especificações que não podem generalizá-lo de forma simples. Muitos argumentos favoráveis à musculação infantil apelam a um preconceito que a sociedade teria em relação à prática, excluindo-a como esporte.

Entretanto, estes argumentos geralmente vêm acompanhados de insinuações de que é um esporte como qualquer outro. Eis aqui nossa segunda colocação: o fisiculturismo não é uma prática esportiva casual, tampouco esporádica e, uma vez que esse fato é devidamente considerado, chegamos a uma faca de dois gumes. Por um lado, o fisiculturismo se apresenta como prática regular, rígida e bem esquematizada. A dieta de nutrientes (principalmente proteínas), o corte de calorias e a quantidade diária de exercícios têm que ser seguida à risca, assim como a exatidão dos exercícios e o foco neles.

Feito tudo isso, é possível perder gordura, ganhar musculatura e evitar lesões. É importante ressaltar que, sim, uma criança pode ganhar musculatura sem que isso afete seu organismo na fase de crescimento, mas a disciplina deve ser implacável. E eis que surge o primeiro gume da discussão: e o desenvolvimento mental da criança? Como se dá o crescimento psicológico desse ser humano que está numa fase de descobertas, de construção da própria identidade, de desconstrução de algumas características e de aprendizado? A rigidez da disciplina pode alterar as capacidades imaginativa, criativa e artística; características estas que poderiam trazer uma maior satisfação à criança.

Eis o ponto em que o fisiculturismo diverge de outros esportes mais casuais e sociais, como futebol e vôlei, que agem como forte integração social e não necessitam, num quadro geral, de práticas diárias e um regulamento rígido. Por outro lado, se o fisiculturismo fosse praticado como algo casual, então ele não somente sairia de sua proposta original, como também afetaria o desenvolvimento físico da criança. Determinadas as influências psicológicas e físicas, um último aspecto deve ser levantado: por que uma criança aceitaria fazer uma programação tão rígida? Muitos podem argumentar que é porque ela quer. Mas seria essa escolha algo consciente ou uma influência familiar constante, quase idêntica à pressão? As influências que o núcleo familiar exerce sobre a criança são geralmente muito grandes e o indivíduo costuma muitas vezes se desprender delas somente na adolescência, época em que aceita e vê em si mesmo uma maior autonomia para tomada de decisões.

No caso do fisiculturismo, como o jovem se sentiria ao ver-se na adolescência com um corpo que não lhe agrada e uma espécie de rotina forjada a partir de seus trabalhos de musculação? Apesar da aceitação do próprio corpo ser essencial a todos, o sentimento de que se poderia ter um outro corpo caso não houvesse pressão familiar pode mudar o posicionamento do indivíduo sobre sua salubridade familiar.

Apesar da grande problemática que o fisiculturismo apresenta quando aplicado em escala infantil, é sempre importante destacar que não o desclassifica como esporte sério para os adultos. Comentários populares demonstram bem uma recusa em retirar a prática da marginalização e considerá-la como algo sério que, no final, nada mais é do que uma opção consciente que o adulto faz sobre o próprio corpo.

E você, leitor? Concorda com a musculação infantil ou reprova? Deixe seus comentários produtivos abaixo.

Revisado por Eliete Freitas.

SOBRE O AUTOR

é um escritor experiente em ter paciência com a escrita de seu primeiro livro. Apesar de lutar com a procrastinação e a inexperiência de seus 18 anos, insiste em sonhar com sua carreira literária de forma egocêntrica. Ama Nutella, literatura, música e frio, mas nada disso o ajuda a escolher uma faculdade.